07/03/2026
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Simpar capta R$ 3,4 bi com família e BNDES

A empresa Simpar vai levantar até R$ 3,4 bilhões em capital novo. A operação tem a ancoragem da família controladora e do BNDESPar.

Além de reduzir sua própria dívida, a operação permitirá à Simpar capitalizar suas controladas Movida e Vamos.

O BNDESPar vai investir até R$ 1,35 bilhão nas três companhias. O valor inclui: até R$ 680 milhões na Simpar, R$ 375 milhões na Movida e R$ 300 milhões na Vamos.

O saldo será contribuído pela JSP Participações – o veículo de investimento da família Simões – e por investidores institucionais que ainda não participam do capital da empresa. Todos ficarão abaixo do patamar de 5% que exigiria divulgação pública.

As conversas da Simpar com o BNDES começaram há quase um ano. O CEO da Simpar, Fernando Simões, disse que o aporte representa uma validação do modelo de negócios da companhia.

“Isso é um selo da nossa governança e da geração de valor do nosso negócio”, afirmou Simões. O acordo também prevê direitos que permitem ao BNDESPar manter participação relevante em futuras operações da companhia.

A Simpar fará um aumento de capital de até R$ 2 bilhões a R$ 11,24 por ação – um desconto de 5% sobre o preço de fechamento do dia do anúncio.

Já a Movida pretende captar entre R$ 500 milhões e R$ 750 milhões a R$ 11,72 por ação. A Vamos poderá levantar entre R$ 400 milhões e R$ 600 milhões a R$ 3,85 por ação. Os preços representam descontos de 12% e 10%, respectivamente, sobre a cotização do dia.

O aumento de capital deve dar fôlego às empresas do grupo. A alavancagem vinha sendo uma preocupação do mercado após um ciclo de juros elevados.

A Simpar viu sua alavancagem aumentar depois de um ciclo intensivo de investimentos entre 2020 e 2024.

Em junho, a agência de rating Fitch rebaixou as notas globais da Simpar, JSL, Movida e Vamos de BB para BB-. A classificação no Brasil também foi rebaixada: de AA+(bra) para AA(bra).

Nos últimos trimestres, a empresa começou a dar passos para resolver a situação. No terceiro trimestre, a Simpar reportou alavancagem de 3,5x, uma queda de 0,2x em relação ao mesmo período do ano passado. O nível ficou abaixo do teto estabelecido em seus acordos de dívida, que é de 4x.

Em agosto, a empresa vendeu a Ciclus Ambiental para a Aegea por um valor empresarial de R$ 1,9 bilhão. Segundo cálculos de analistas, essa transação deve ajudar a reduzir a alavancagem da Simpar para cerca de 3,1x.

Fernando Simões disse que a desalavancagem poderia acontecer organicamente com o tempo. “Esse movimento traz capital novo e reduz custos financeiros; esse não é o ponto principal”, comentou.

A diluição da família controladora deve ficar entre 10% e 18%. Atualmente, os Simões detêm 76% do capital da Simpar.

Os bancos Bradesco BBI e Santander estão assessorando a empresa na operação.

O anúncio foi feito em um momento de busca por recomposição financeira por parte de grupos empresariais. A injeção de recursos de um agente público como o BNDESPar é vista como um voto de confiança no planejamento estratégico da companhia.

O mercado de capitais tem observado movimentos semelhantes em outras empresas, com sociedades entre controladores, investidores institucionais e bancos de desenvolvimento para fortalecer o capital próprio. Essa estratégia visa criar uma base mais sólida para futuros ciclos de expansão.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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