Coyote vs. Acme chega ao cinema após escapar do limbo da Warner
Longa mistura live action e animação numa disputa judicial entre o Coiote e a fabricante de suas armadilhas favoritasPor Ariovaldo Nunes · 29 de agosto de 2026 · 4 min de leitura

Coyote vs. Acme estreou nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 27 de agosto de 2026, trazendo aos telões a disputa entre o Coiote e o Papa-Léguas, personagens clássicos dos Looney Tunes. A produção mistura atores reais com animação e transforma a perseguição eterna dos desenhos numa batalha judicial, segundo descrevem o Metrópoles e o Blog de Hollywood.
Na trama, Wile E. Coyote, sempre fracassado em suas tentativas de capturar o rival usando artefatos da empresa Acme, resolve process
ar a fabricante pelos próprios fracassos. Ele contrata o advogado desacreditado Kevin Avery, interpretado por Will Forte, e ganha a ajuda de Paige, papel de Lana Condor, sobrinha do advogado e uma jovem cheia de disposição para vencer o caso. Do outro lado do tribunal está o diretor da Acme, personagem de John Cena, que se torna o principal obstáculo da dupla.Quem é o público do filme e o que esperar
As duas críticas concordam que o filme é indicado para quem busca uma sessão em família, leve e com humor pastelão inspirado nos desenhos originais. O Metrópoles descreve a obra como uma opção divertida e despretensiosa para todas as idades.
Já o Blog de Hollywood aponta ressalvas. Segundo a publicação, apesar da boa ideia e do acabamento técnico competente, o roteiro se torna repetitivo, principalmente nas cenas envolvendo o personagem de John Cena, e a tentativa de recriar a lógica frenética dos desenhos animados em live action nem sempre funciona. Para o veículo, o resultado fica abaixo do potencial da premissa, embora reconheça momentos "fofos", como o reencontro entre Coiote e Papa-Léguas dentro do tribunal.
A longa espera até chegar às telonas
Antes de estrear, Coyote vs. Acme viveu uma trajetória incomum nos bastidores. De acordo com o Metrópoles, a Warner Bros. havia concluído o filme, orçado em cerca de 70 milhões de dólares, e chegou a planejar seu lançamento em 2023. No entanto, o estúdio optou por engavetar a produção e usá-la como baixa fiscal, mecanismo contábil que permite abater o custo de um projeto não lançado da base de cálculo de impostos.
A decisão gerou forte reação de fãs e da imprensa especializada, ainda mais porque o filme já havia recebido avaliações positivas em sessões de teste, segundo o Metrópoles. Diante da repercussão negativa, a Warner Bros. autorizou os produtores a buscar outro distribuidor. Netflix, Amazon e Paramount demonstraram interesse, mas nenhuma negociação avançou.
Foi somente com o empenho do diretor David Green e do produtor James Gunn que o projeto encontrou um novo caminho. A Ketchup Entertainment adquiriu os direitos da produção e viabilizou a estreia nos cinemas, encerrando um impasse que durou cerca de três anos.
A base literária e a ironia da premissa
O Blog de Hollywood destaca que o roteiro se inspira em um conto do escritor Ian Frazier, que já brincava com a ideia de o Coiote processar a Acme pelos produtos defeituosos que sempre falham contra o Papa-Léguas. Segundo a crítica, essa é uma piada que praticamente todo espectador que cresceu vendo os desenhos já imaginou, e o filme tenta expandir essa fantasia em formato de longa-metragem.
O veículo também elogia momentos de leveza inesperados, como a relação entre o Coiote e o advogado interpretado por Will Forte, que ganha camadas mais afetivas do que o esperado em uma comédia baseada em desenho animado.
O que muda para quem vai ao cinema
Coyote vs. Acme já está em cartaz nos cinemas brasileiros, sem indicação de lançamento simultâneo em streaming até o momento, conforme as fontes consultadas. Quem quiser assistir precisa ir às salas de exibição, já que não há confirmação sobre data de chegada a plataformas digitais.
Para o público que busca nostalgia dos Looney Tunes em tom familiar, as duas análises indicam que o filme cumpre a proposta de entretenimento leve, mesmo com opiniões divergentes sobre a qualidade final do roteiro. Vale observar, nas próximas semanas, se a bilheteria justifica a aposta da Ketchup Entertainment em resgatar uma produção que já havia sido dada como perdida pela Warner Bros.