22/07/2026
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Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga e derruba preços

Crise esvazia Comercial Norte de Taguatinga e derruba preços

A Avenida Comercial Norte, um dos pontos mais tradicionais do Distrito Federal e conhecida como o coração econômico de Taguatinga, enfrenta uma crise com o fechamento em massa de lojas. O cenário de calçadas cheias e vitrines atraentes deu lugar a placas de “aluga-se”, o que derruba os preços dos imóveis e levanta preocupações sobre o esvaziamento urbano da região.

Para Hélio Eustáquio da Silva, proprietário da Hélio Imóveis e especialista no setor, o declínio é resultado de fatores estruturais, como a carga tributária e mudanças no comportamento do consumidor. “Há muitos imóveis desocupados, especialmente em função dos frequentes aumentos de impostos e da mudança de mentalidade das pessoas, que hoje preferem consumir em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers”, afirma.

Na prática, as placas de locação se tornaram permanentes na paisagem. Segundo o corretor, o tempo médio para alugar um imóvel na área gira em torno de oito meses. “Como a quantidade de imóveis ofertados é grande, os eventuais interessados encontram muitas opções vazias e ganham maior poder de barganha”, explica.

O corretor ressalta que o custo operacional não fecha para o empresariado. “Hoje, a Comercial Norte não é mais vista como um investimento atraente. O IPTU cobrado pelo governo é exorbitante e não reflete o estado de abandono da avenida. Essa carga tributária está fora da realidade dos comerciantes, que enfrentam faturamento deficitário e margens de lucro menores”, conclui Eustáquio.

Além dos custos, a atmosfera do lugar mudou. Alisson David, de 30 anos, que trabalha no setor de vestuário masculino, relata que o movimento caiu bastante. “Sentimos um baque grande até em janeiro e dezembro, que costumam ser meses fortes para as vendas. E, além de vender menos, a gente ainda sofre com a insegurança. Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa muito”, conta. Ele acrescenta que o clima de abandono se estende para as paradas de ônibus, com relatos de assaltos na Avenida Sandu.

O atendente José Pereira, que trabalha em um brechó local, afirma que o aumento da população em situação de vulnerabilidade nas calçadas afasta a clientela. “Quase todos os dias a gente vê muitos moradores de rua por aqui. Alguns ficam até deitados na porta das lojas. Isso acaba afastando os clientes, que muitas vezes ficam com medo de entrar”, destaca. Apesar das dificuldades, José afirma que a proprietária do brechó não cogita migrar para o atendimento online e cobra ações do GDF para revitalizar a região.

A produtora rural Maria Aparecida Silva, de 56 anos, frequenta a Comercial Norte toda semana e testemunha o declínio. “Antigamente, essa comercial tinha de tudo, mas hoje a realidade é outra. O fechamento em massa das lojas e a falta de segurança acabaram afastando o público de vez. O que falta de verdade é o policiamento e a segurança pública”, diz.

O motorista de aplicativo Anderson Fábio dos Santos, de 37 anos, dirige pela área diariamente e aponta o desequilíbrio entre faturamento e custo imobiliário. “Dá para perceber claramente que o movimento das lojas despencou. Na minha visão, isso tem muito a ver com o custo para manter o negócio aberto. O preço dos aluguéis ali está sufocante. Muitos proprietários cobram valores fora da realidade”, afirma.

Procurada pela reportagem, a Administração Regional de Taguatinga informou que não tem um mapeamento com o número exato de estabelecimentos fechados. O administrador alega que o esvaziamento reflete uma mudança estrutural iniciada na pandemia, quando muitos lojistas trocaram as calçadas pelas vendas na internet. “Nós percebemos que muita gente migrou para o comércio eletrônico. Hoje, vários desses comerciantes montaram escritórios dentro de shoppings e centros empresariais. Além disso, houve um movimento natural de empresários que preferiram mudar o negócio para regiões vizinhas que cresceram, como Águas Claras, Vicente Pires e Samambaia”, afirma.

Como resposta ao problema, a Administração aposta em um projeto de política de ocupação que tramita na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh). O plano foca na revitalização estrutural da Comercial Norte e Sul, além da Samdu Sul e Samdu Norte.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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