31/05/2026
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China pede estabilidade global antes de cúpula com Trump

China pede estabilidade global antes de cúpula com Trump

O governo da China afirmou nesta segunda-feira (11) que deseja trabalhar com os Estados Unidos para trazer “maior estabilidade” às relações internacionais. A declaração foi feita antes da chegada do presidente americano, Donald Trump, ao país asiático para uma cúpula de três dias com o presidente chinês, Xi Jinping.

A visita está marcada para acontecer de quarta a sexta-feira. Ela estava inicialmente prevista para o final de março, mas foi adiada por causa da guerra no Oriente Médio.

Esta é a primeira vez desde 2017, durante o primeiro mandato de Trump, que um presidente dos Estados Unidos visita a China. O ex-presidente Joe Biden não esteve no país asiático durante seus quatro anos de governo.

As relações comerciais devem dominar as negociações. O encontro ocorre após um ano de confrontos entre os dois países, com tarifas e restrições. Antes da cúpula entre Xi e Trump, negociadores dos dois lados, o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e o secretário do Tesouro dos EUA Scott Bessent, devem se reunir em Seul.

Em outubro, Xi e Trump concordaram com uma trégua temporária na guerra comercial. A expectativa é que esse acordo possa ser estendido durante a visita.

Outro tema da cúpula será a crise no Oriente Médio, que começou com o ataque de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã em 28 de fevereiro. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que Pequim quer cooperar com os EUA com base no respeito e nos interesses mútuos para “trazer mais estabilidade e segurança a um mundo instável”.

A China é diretamente afetada pelo conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% do gás e do petróleo do mundo.

Segundo a porta-voz adjunta do governo americano, Anna Kelly, Trump chega à China na noite de quarta-feira. Na quinta-feira de manhã, haverá uma cerimônia de boas-vindas e uma reunião bilateral com Xi Jinping em Pequim. À tarde, o presidente americano visitará o Templo do Céu e, à noite, participará de um banquete de Estado. Na sexta-feira, os dois líderes terão um chá bilateral e um almoço de trabalho antes do retorno de Trump a Washington.

A China é a principal importadora de petróleo do Irã e um parceiro econômico e político importante para o país. Mais da metade do petróleo importado pela China por via marítima vem do Oriente Médio e passa pelo Estreito de Gibraltar, segundo a empresa de pesquisa Kpler. O país, que depende do comércio internacional, já começa a sentir os efeitos da guerra, mas está mais preparado que seus vizinhos para lidar com a situação.

Especialistas apontam que Xi Jinping chega à cúpula em uma posição de força em comparação com Trump, que está envolvido no conflito do Oriente Médio e sob pressão das eleições de meio de mandato nos EUA, em novembro. Desde o início da guerra, a China moderou suas críticas aos Estados Unidos e seu apoio ao Irã.

O porta-voz Guo Jiakun disse que Pequim continuará a ter um papel “positivo” na resolução da crise. O Departamento de Estado dos EUA anunciou na sexta-feira sanções contra três empresas na China, acusadas de fornecer imagens de satélite ao Irã. A China se opõe a essas sanções, classificando-as como “unilaterais e ilegais”. Guo afirmou que “o mais urgente é impedir a retomada do conflito, não explorá-lo para difamar outros países”. O Departamento do Tesouro dos EUA também sancionou empresas na China continental e em Hong Kong por suposto fornecimento de armas ao Irã. Analistas acreditam que Pequim não deve ceder à pressão americana sobre o Irã e deve buscar resultados concretos, mesmo que pequenos, como nas tarifas, durante a cúpula.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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