06/08/2026
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Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca ‘naturalizar’ conteúdo adulto

Cofundador da Fatal diz que patrocínio ao Corinthians busca 'naturalizar' conteúdo adulto

O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o objetivo do patrocínio da plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans ao Corinthians é naturalizar a presença desse tipo de serviço no cotidiano dos brasileiros. A empresa passa a estampar sua marca no uniforme do clube paulista.

“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse Ongaratto em entrevista. Ele explicou que o investimento no clube não se justifica por um cálculo de retorno financeiro direto.

A Fatal Fans é uma plataforma de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos, em modelo semelhante ao OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação. Segundo a Atlas Technologies, o site reúne cerca de 30 mil criadores de conteúdo e recebe 7 milhões de visitas por mês.

O contrato com o Corinthians, no valor de R$ 22 milhões até 2027, foi assinado em meio à crise financeira do clube, cuja dívida está entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O acordo gerou polêmica sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.

Ongaratto disse que a estratégia busca dar credibilidade à marca. “Pessoas que tinham vontade, mas não tinham coragem de acessar o site por medo de que ele colocasse um vírus no seu computador, tenham tranquilidade para acessá-lo”, afirmou.

Repercussão e projetos de lei

A preocupação com o alcance da publicidade para o público infantojuvenil motivou representações ao Ministério Público de São Paulo. Foram protocolados projetos de lei para proibir publicidade de conteúdo adulto em espaços públicos e eventos esportivos pelas deputadas Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

O empresário defendeu que a propaganda não é direcionada a crianças e que a empresa nunca fez peças publicitárias com objetificação do corpo. “Este é um debate legítimo que deve ser feito pela sociedade, mas que às vezes vem carregado de preconceitos”, disse.

Ongaratto afirmou que a Fatal Models, outra plataforma da empresa que reúne perfis de acompanhantes, implantou um sistema de verificação de idade em Maceió. A repórter, porém, acessou as duas plataformas sem qualquer verificação etária. O empresário disse que o sistema foi suspenso temporariamente enquanto a ferramenta é aperfeiçoada.

O Corinthians informou, em nota, que se certificou de que a Fatal Fans opera em conformidade com o ECA Digital e que o conteúdo só pode ser acessado mediante assinatura com verificação de CPF. O clube disse ainda que não haverá publicidade com conotação de objetificação ou erotização.

Ongaratto reconheceu que a repercussão tende a gerar efeitos comerciais. “Toda polêmica gera curiosidade.” Ele também disse que a empresa ainda não desenvolveu políticas para usuários com consumo compulsivo de pornografia e que o tema “carece de mais debate dentro da empresa”.

O executivo afirmou que a empresa trabalha para reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo. “Há quem coloque a mulher que produz conteúdo adulto abaixo da mulher que escolheu como profissão jogar futebol. Não cabe essa comparação. São funções legítimas”, disse. Sobre as filhas, ele afirmou que respeitaria a decisão delas se escolhessem essa profissão. “Eu não estou aqui para estimulá-las, mas também não estou aqui para desestimular.”

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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