Ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, 70, afirmou que sua pré-candidatura a deputado federal em 2026 não tem o objetivo de resgatar sua imagem após os escândalos do mensalão e da Lava Jato. Preso duas vezes, ele quer concorrer por Goiás, seu estado natal. “Não estamos voltando para ter resgate de nada. É porque há uma necessidade de ampliar a bancada do PT”, disse em entrevista.
Além de Delúbio, o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado federal João Paulo Cunha também tentarão vagas na Câmara dos Deputados. Em conversa por videochamada, Delúbio defendeu sua inocência e se referiu ao mensalão como “ação penal 470”, número do processo no STF. Para ele, a denúncia foi o início de uma perseguição política ao PT.
Apontado como operador do mensalão, ele sempre negou o pagamento de mesada a deputados, mas admitiu a existência de caixa dois em campanhas petistas. Foi condenado a 6 anos e 8 meses de prisão por corrupção ativa, cumpriu pena e recebeu indulto em 2016. Em 2018, foi condenado pela Lava Jato por empréstimos fraudulentos, mas a prisão foi revogada em 2019. Em 2023, o STJ anulou a sentença.
Delúbio afirma que não fez nada de errado e chama outros presos da Lava Jato de “colegas de infortúnio”. Ele diz não guardar mágoas de sua expulsão do PT, partido que ajudou a fundar. Abraçado por Lula publicamente, foi citado pelo presidente em um discurso que pedia reparação por “erros que cometemos”.
Questionado sobre a volta agora, Delúbio disse que quer estar no Congresso para ajudar Lula a governar e aumentar a bancada progressista de Goiás. Ele também defende pautas como energia, transporte e educação, incluindo a criação de um fundo soberano para a educação básica.
Sobre a negociação com o Congresso, ele afirmou que os deputados votam de acordo com os interesses de quem os elegeu. Delúbio também disse que nunca pensou em se filiar a outro partido, pois é fundador do PT. Para ele, a reeleição de Lula é vital e deve ocorrer no primeiro turno.
O ex-tesoureiro afirmou que o PT sofreu desgaste com os escândalos, mas que é preciso evitar que novas gerações passem pelo que o partido passou. Ele negou que o retorno de mensaleiros às urnas seja uma forma de justiça e reiterou que não se arrepende de ter assumido a responsabilidade pelo caixa dois, pois não houve crime.
