13/08/2026
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Diretor do BC relata à PF vazamentos e sigilo na liquidação do Master

Diretor do BC relata à PF vazamentos e sigilo na liquidação do Master

O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à Polícia Federal que o ambiente no órgão era hostil durante a decisão sobre o futuro do Banco Master, com muitos vazamentos de informações. Por isso, ele manteve em sigilo a decisão de liquidar a instituição de Daniel Vorcaro em novembro do ano passado.

Aquino disse aos investigadores que escondeu de Belline Santana, ex-chefe de Supervisão Bancária do BC, e de Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização, a decisão pela liquidação do banco. Os dois servidores são investigados por receber pagamentos de Vorcaro e negaram, por meio de suas defesas, qualquer favorecimento ao ex-banqueiro.

No depoimento, o diretor contou como foi o dia 17 de novembro, véspera do anúncio do desligamento do Master do Sistema Financeiro Nacional. Segundo ele, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, e ele não confiavam em ninguém naquele momento e já haviam decidido pela liquidação.

Aquino afirmou que Vorcaro pedia uma reunião, mas a ideia era recebê-lo apenas no dia 19. No entanto, Santana e Paulo Sérgio insistiram para que o encontro ocorresse na segunda-feira (17). Na reunião, por teleconferência, Vorcaro apresentou a proposta de venda do Master para a Fictor por R$ 3 bilhões, com investidores árabes que nunca foram revelados.

“Vorcaro insistia em perguntar ao depoente qual era sua opinião e o que achava da proposta, como se buscasse uma manifestação favorável”, diz trecho do depoimento. A transação foi divulgada para a imprensa horas depois, mas não se concretizou. Vorcaro foi preso na noite daquele dia, no aeroporto de Guarulhos, quando tentava embarcar em um jatinho. A PF suspeita que a viagem aos Emirados Árabes seria uma tentativa de fuga, o que ele nega.

O diretor afirmou que se manteve neutro na reunião e que já havia decidido votar pela liquidação. Naquele dia, também houve uma tentativa de vender um apartamento de R$ 60 milhões em São Paulo, que não foi concluída.

Questionado se achava que o ex-banqueiro já sabia da liquidação, Aquino disse que estava “conjecturando, sendo leviano ao fazê-lo”, mas que o comportamento de Vorcaro gerava esse sentimento. Ailton contou que Galípolo convocou uma reunião com a diretoria do BC e a liquidação do Master foi aprovada.

O diretor classificou como atípica a decisão de guardar segredo internamente. Em condições normais, o coordenador, o chefe de divisão, o adjunto e o chefe de departamento são informados. No caso do Master, apenas ele, o presidente do BC, o procurador e o responsável pela execução da liquidação sabiam.

A conduta dos ex-gestores é analisada pela CGU em um processo administrativo disciplinar que pode levar à expulsão dos servidores. A Polícia Federal investiga se eles foram favorecidos financeiramente em troca de informações e auxílio aos interesses do Master dentro do BC.

Paulo Sérgio foi diretor de Fiscalização entre 2017 e 2023 e depois chefe-adjunto do departamento de Supervisão Bancária, liderado por Belline de 2019 a 2026. A suspeita de envolvimento da dupla gerou abatimento entre os funcionários do BC.

A sindicância patrimonial concluiu que Paulo Sérgio simulou a venda de um sítio em Minas Gerais para uma empresa controlada por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, para ocultar propina. A defesa dele nega. Belline é suspeito de simular dois contratos, no total de R$ 4 milhões, com um advogado ligado ao Master. Sua defesa também nega favorecimento.

O Banco Central decretou a liquidação do Master em novembro do ano passado. Os custos da quebra do banco superam R$ 57 bilhões até o momento.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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