02/06/2026
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Dólar cai com alta do petróleo e real se destaca

Dólar cai com alta do petróleo e real se destaca

O dólar à vista fechou em baixa de 0,40% nesta segunda-feira, cotado a R$ 5,0227, impulsionado pela alta do petróleo, mesmo com o aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. A moeda norte-americana atingiu a mínima de R$ 5,0122 durante o pregão. Em maio, o dólar acumulou alta de 1,82%, mas no ano as perdas são de 8,50%.

O dia foi marcado pelo anúncio do Irã de suspender as conversas com os Estados Unidos, em protesto aos ataques de Israel a bases do Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas emitiram alerta para que moradores do norte de Israel e de assentamentos militares deixassem a região. A escalada retórica de Teerã elevou os preços do petróleo, que recuaram das máximas após declarações do presidente dos EUA, Donald Trump.

Em postagem na Truth Social, Trump disse ter conversado com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o Hezbollah. “Israel não os atacará e eles não atacarão Israel”, escreveu Trump. O contrato do Brent para agosto encerrou a US$ 94,98 o barril, alta de 4,24%, após tocar US$ 97.

O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirmou que há dois vetores atuando sobre a taxa de câmbio. “De um lado, há aumento da aversão ao risco e da volatilidade, o que é ruim para divisas emergentes. Mas, de outro, há uma alta do petróleo, o que é bom para a gente.”

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, disse que o real se apreciou porque o Brasil é exportador líquido de petróleo. Ela acrescentou que a piora das projeções de inflação no Boletim Focus aumenta a expectativa de juros elevados no Brasil, o que atrai capital externo.

O grande destaque do dia foi o peso colombiano, que avançou mais de 2,5% frente ao dólar, após o primeiro turno das eleições presidenciais. A economista-chefe de mercados emergentes da VanEck, Natalia Gurushina, afirmou que o desempenho do candidato de direita Abelardo de la Espriella o posicionou como favorito para o segundo turno.

O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta moderada e rondava os 99,200 pontos no fim da tarde. O Dollar Index avança quase 1% no ano. As taxas dos Treasuries subiram com as preocupações inflacionárias provocadas pela alta do petróleo.

Para Viotto, a perspectiva de manutenção do petróleo acima de US$ 90 estimula apostas de aumento dos juros nos EUA, o que abala o apetite por divisas emergentes. “A tendência é de um dólar mais perto de R$ 5,00, mas que pode buscar os R$ 5,20”, afirmou.

Bolsa

O Ibovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo, em baixa de 0,91%, aos 172.197,46 pontos, no menor patamar desde 21 de janeiro. O giro financeiro foi de R$ 28,4 bilhões. No ano, o índice limita alta a 6,87%.

A economista da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, destacou que o contexto global permanece incerto, com reflexos na curva de juros, no câmbio e na Bolsa. A classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA na semana passada traz preocupação quanto à relação bilateral.

Em Nova York, os índices fecharam em alta: Dow Jones +0,09%, S&P 500 +0,26% e Nasdaq +0,42%. As ações de software subiram após o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmar que os agentes de inteligência artificial podem impulsionar o setor.

Na B3, as ações da Petrobras subiram (ON +1,31%, PN +0,88%), enquanto Vale (ON -1,35%) e Itaú (PN -1,65%) caíram. Na ponta positiva, Totvs (+4,32%), Brava (+2,57%) e Cosan (+2,11%). No lado oposto, Minerva (-5,15%), RD Saúde (-4,44%) e Suzano (-3,01%).

O Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, ligado à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, alertou moradores do norte de Israel a deixarem a região caso o governo israelense amplie operações no Líbano. Netanyahu disse que Israel atacaria alvos do Hezbollah em Beirute se os ataques a cidades israelenses continuarem.

Juros

Os juros futuros subiram, com taxas superando 14% em todos os vértices. O DI para janeiro de 2027 foi de 14,083% para 14,205%. O DI para janeiro de 2029 saltou de 13,841% para 14,06%, e o DI para janeiro de 2031 avançou de 13,884% para 14,04%.

O Focus mostrou nova deterioração das estimativas de inflação: a mediana para o IPCA de 2026 passou de 5,04% a 5,09%; para 2027, de 4,01% a 4,02%; e para 2028, de 3,65% a 3,66%.

Um gestor de renda fixa disse que está ganhando corpo a narrativa de um Banco Central “ultra hawk” tentando conter as expectativas de inflação longas. A taxa terminal apontada pela curva estava em 14,25% no final da tarde.

O economista-chefe do banco Bmg, Flávio Serrano, destacou que a curva precifica cerca de 70% de chance de redução de 0,25 ponto na Selic em junho. O gestor da Heritage Capital, Eduardo Cohn, afirmou que o BC deveria interromper o ciclo de calibração da Selic após mais um corte de 0,25 ponto neste mês.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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