25/07/2026
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Filas de 6h e caos na Farmácia de Alto Custo do DF

Filas de 6h e caos na Farmácia de Alto Custo do DF

Pacientes que dependem da Farmácia de Alto Custo no Distrito Federal relatam filas de mais de seis horas, sistemas lentos, burocracia na entrega de exames e falta de estoque. Os problemas persistem mesmo após dois meses da criação da plataforma Farmácia Digital, voltada para solicitar e acompanhar pedidos de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) orienta a população a fazer agendamento prévio para evitar esperas.

A advogada Beatriz de Seixas, de 29 anos, estava na fila da unidade da Asa Sul há mais de seis horas para renovar o cadastro e retirar remédios para alergia e epilepsia. Ela relatou que a espera prolongada e a instabilidade no fornecimento se tornaram rotina. “Existem várias falhas de comunicação e o sistema não comporta, certamente por problemas com servidor”, disse. Beatriz aguardava a normalização do estoque de lamotrigina, medicamento antiepiléptico que estava em falta.

O problema de Beatriz dura mais de três meses. “Desde o dia 13 de abril eu vim e fiz a renovação. Eles falam que o prazo é de 10 dias para fazerem a análise, mas desde então não houve avaliação”, contou. Ela citou falhas no atendimento remoto e dificuldades no agendamento pelo site Agenda DF. “Para conseguir vaga, você só pode agendar para a mesma semana e precisa acessar o sistema meia-noite.”

A gestora ambiental Graciela Montes Machado, de 46 anos, enfrentou um atraso de quatro horas no atendimento pré-agendado. Ela busca o hormônio somatropina para o filho Enzo, de 4 anos. Para conseguir o atendimento, esperou três meses pelo agendamento e teve que refazer exames. “No Sul levamos 7 dias e em São Luís conseguimos em 9 dias”, comparou. Ela lamentou ver o filho crescer sem o remédio. “Ele está no pré-adolescente, que dá o boom do estirão.”

O bombeiro civil Erasmo de Sousa Bento, de 49 anos, teve uma experiência diferente. Ele foi à farmácia buscar medicação para a filha de 17 anos, que tem diabetes insípido. “Acho que melhorou. A parte de entregar o remédio em casa está funcionando”, afirmou. A vendedora Luziana Conceição da Silva Vitória, de 41 anos, também conseguiu agendar e retirar o medicamento topiramato para o filho de 12 anos, que tem epilepsia.

A SES-DF informou que o CEAF tem três unidades de dispensação, na Asa Sul, Ceilândia e Gama. A pasta afirmou que 235 dos 302 medicamentos padronizados estão disponíveis. A orientação é que os usuários façam agendamento pelo Agenda DF. A diretora de Assistência Farmacêutica, Tatiane Araújo Costa, disse que são disponibilizadas 800 vagas diárias para atendimento, além de 300 senhas para demanda espontânea.

Em junho, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apontou déficit de profissionais, longas filas e problemas estruturais nas unidades. O MPDFT recomendou à SES a implementação do sistema Sismedex e a recomposição do quadro de pessoal. O prazo de 60 dias para as medidas está próximo do fim.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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