Pacientes que dependem da Farmácia de Alto Custo no Distrito Federal relatam filas de mais de seis horas, sistemas lentos, burocracia na entrega de exames e falta de estoque. Os problemas persistem mesmo após dois meses da criação da plataforma Farmácia Digital, voltada para solicitar e acompanhar pedidos de medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (CEAF). A Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) orienta a população a fazer agendamento prévio para evitar esperas.
A advogada Beatriz de Seixas, de 29 anos, estava na fila da unidade da Asa Sul há mais de seis horas para renovar o cadastro e retirar remédios para alergia e epilepsia. Ela relatou que a espera prolongada e a instabilidade no fornecimento se tornaram rotina. “Existem várias falhas de comunicação e o sistema não comporta, certamente por problemas com servidor”, disse. Beatriz aguardava a normalização do estoque de lamotrigina, medicamento antiepiléptico que estava em falta.
O problema de Beatriz dura mais de três meses. “Desde o dia 13 de abril eu vim e fiz a renovação. Eles falam que o prazo é de 10 dias para fazerem a análise, mas desde então não houve avaliação”, contou. Ela citou falhas no atendimento remoto e dificuldades no agendamento pelo site Agenda DF. “Para conseguir vaga, você só pode agendar para a mesma semana e precisa acessar o sistema meia-noite.”
A gestora ambiental Graciela Montes Machado, de 46 anos, enfrentou um atraso de quatro horas no atendimento pré-agendado. Ela busca o hormônio somatropina para o filho Enzo, de 4 anos. Para conseguir o atendimento, esperou três meses pelo agendamento e teve que refazer exames. “No Sul levamos 7 dias e em São Luís conseguimos em 9 dias”, comparou. Ela lamentou ver o filho crescer sem o remédio. “Ele está no pré-adolescente, que dá o boom do estirão.”
O bombeiro civil Erasmo de Sousa Bento, de 49 anos, teve uma experiência diferente. Ele foi à farmácia buscar medicação para a filha de 17 anos, que tem diabetes insípido. “Acho que melhorou. A parte de entregar o remédio em casa está funcionando”, afirmou. A vendedora Luziana Conceição da Silva Vitória, de 41 anos, também conseguiu agendar e retirar o medicamento topiramato para o filho de 12 anos, que tem epilepsia.
A SES-DF informou que o CEAF tem três unidades de dispensação, na Asa Sul, Ceilândia e Gama. A pasta afirmou que 235 dos 302 medicamentos padronizados estão disponíveis. A orientação é que os usuários façam agendamento pelo Agenda DF. A diretora de Assistência Farmacêutica, Tatiane Araújo Costa, disse que são disponibilizadas 800 vagas diárias para atendimento, além de 300 senhas para demanda espontânea.
Em junho, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) apontou déficit de profissionais, longas filas e problemas estruturais nas unidades. O MPDFT recomendou à SES a implementação do sistema Sismedex e a recomposição do quadro de pessoal. O prazo de 60 dias para as medidas está próximo do fim.
