29/07/2026
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Guaíba na cota de atenção; inundação não descartada

O nível do Guaíba, em Porto Alegre, está normal nesta segunda-feira (27). No entanto, os próximos dias podem trazer mudanças. Um boletim hidrológico divulgado no fim da manhã pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e pelo Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da UFRGS indica a possibilidade de o Guaíba ultrapassar a cota de inundação a partir do dia 3 de agosto.

A possibilidade de inundação no centro de Porto Alegre aparece em apenas um dos quatro cenários meteorológicos considerados pelo boletim. Nos outros três, o Guaíba não chegaria à cota de alerta, ficando abaixo também da cota de inundação no centro da Capital.

O boletim destaca que os quatro cenários convergem quanto à possibilidade de chuvas persistentes, mas divergem em relação aos locais específicos onde as chuvas serão registradas. Essa mudança geográfica das chuvas pelo interior do Estado definirá se, dias depois, o Guaíba ficará mais ou menos elevado.

A Defesa Civil do Rio Grande do Sul reforça que não vê possibilidade de o Guaíba alcançar a cota de inundação. A informação foi apresentada durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (27).

— Os cenários de meteorologia que nós tínhamos disponíveis hoje não indicam cota de inundação para o Guaíba. No máximo, (cota de) atenção lá para o dia 31 ou dia 1º. Mas é o cenário de hoje, com as rodadas dos modelos meteorológicos de hoje — afirmou a hidróloga Vanderleia Schmitz, da Defesa Civil.

A entidade informa que utiliza “os modelos meteorológicos globais mais adequados para previsão de eventos extremos”: o europeu (ECMWF) e o americano (GFS). “Ambos os modelos são atualizados com frequência e tendem a ser mais assertivos. Além disso, a 72h do evento, são acrescidos interpretações dos modelos regionais, COSMO (INMET), WRF (Climatempo) e WRFs (UFPel e da Sigma), que oferecem melhor resolução espaço/tempo”, diz nota.

O cenário apontado pelo SGB e pelo IPH, por sua vez, é previsto por outro modelo: o ETA. De acordo com o meteorologista Marcelo Schneider, do Inmet, o modelo mais pessimista para o Guaíba depende de as chuvas se concentrarem, nos próximos dias, mais ao norte do Estado.

— Caso essa previsão de chuva estacionária fique cerca de 100 a 150 quilômetros ao Norte, aí sim, todas essas bacias mais contribuintes (do Guaíba) vão receber esse acumulado de chuva e, três, quatro, cinco, seis dias depois, vão desembocar aqui no Guaíba. Então, é uma questão de quilômetros (de onde vai cair a chuva) — apontou Schneider.

Rodrigo Paiva, professor de hidrologia da UFRGS, reforça que há incerteza sobre a localização e o volume das chuvas, o que sustenta as divergências de cenários. — Ainda há muita incerteza entre as previsões meteorológicas sobre a localização e o volume das chuvas. Ainda é cedo. Será necessário acompanhar e atualizar as previsões — destaca Paiva.

Durante a coletiva, o governador Eduardo Leite ressaltou a necessidade de monitoramento contínuo. Segundo ele, um volume expressivo de chuva irá cair no Estado nos próximos dias, mas o local e o tempo da precipitação farão diferença nos cenários. — Não adianta cravar agora, com as informações que temos agora — destacou.

A Defesa Civil do Estado pontuou que, “mesmo que concordem, os modelos da Defesa Civil e do SGB são diferentes, então um não se baseia no outro”. A entidade vê o SGB e o IPH como instituições importantes que contribuem para o cenário hidrológico do Estado.

Entre esta segunda-feira e domingo (2), os acumulados podem ultrapassar 200 mm em diversas regiões. O volume já pressiona mananciais gaúchos e coloca pelo menos sete rios em alerta de inundação: Ibicuí, Ibirapuitã, Santa Maria, Quaraí, Jacuí, Caí e Sinos.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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