A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira durante a Operação Vérnix, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura um esquema milionário de lavagem de dinheiro com conexões diretas ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as investigações, entre 2018 e 2021, Deolane teria recebido mais de R$ 1 milhão em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil. Essa prática é conhecida como smurfing e é usada para fugir dos radares automáticos de fiscalização bancária. Quase 50 depósitos, totalizando cerca de R$ 716 mil, teriam sido feitos para empresas ligadas a ela por uma suposta instituição de crédito. O Ministério Público afirma que não foram encontrados contratos, serviços prestados ou qualquer movimentação comercial que justificasse esses valores. Para os investigadores, a projeção pública e o patrimônio formalizado da influenciadora funcionariam como uma camada de aparente legalidade sobre recursos ilícitos.
A investigação começou em 2019, quando agentes apreenderam bilhetes e manuscritos com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau. Entre os trechos analisados, uma referência a uma “mulher da transportadora” abriu uma nova linha de investigação. Chegou-se então a uma transportadora de cargas sediada naquela cidade, apontada como braço financeiro da organização. No celular de Ciro Cesar Lemos, indicado como operador central da estrutura, teriam sido encontradas imagens de depósitos destinados às contas de Deolane. A operação também mirou familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, incluindo o irmão, o sobrinho e uma parente que estaria em Madri.
Deolane estava em Roma nas últimas semanas e chegou a ter o nome incluído na lista da Difusão Vermelha da Interpol. Ela voltou ao Brasil na quarta-feira, dia 20, um dia antes de a operação ser deflagrada. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em imóveis em Barueri. O influenciador Giliard Vidal dos Santos, apontado como filho de criação dela, também foi alvo da investigação, junto com um contador ligado ao grupo.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 27 milhões em nome de Deolane Bezerra. No total, R$ 357,5 milhões foram bloqueados em contas ligadas aos investigados. Além disso, 39 veículos avaliados em mais de R$ 8 milhões foram apreendidos.
Outra prisão de Deolane Bezerra
Esta é a segunda vez que Deolane Bezerra é presa. Em abril de 2024, ela foi detida em uma operação da Polícia Civil de Pernambuco que investigava jogos ilegais e lavagem de dinheiro. Na ocasião, a influenciadora foi solta após pagar fiança. A nova prisão ocorre em um contexto de investigações mais amplas sobre suas finanças e conexões com organizações criminosas.
