O Conselho de Urbanismo Vertical, organização sem fins lucrativos com sede em Chicago, divulgou a lista dos dez edifícios mais altos do mundo. A entidade, que desde 1996 define os critérios para medir a altura de arranha-céus, estabelece que torres e agulhas contam na medição, mas antenas, letreiros e equipamentos técnicos não são considerados.
Outras regras do conselho determinam que a altura é medida da entrada principal de pedestres até o topo arquitetônico. Para ser classificado como edifício, e não como torre, pelo menos 50% da altura deve ser ocupável. Esse critério exclui, por exemplo, a Tokyo Skytree, que com seus 634 metros ficaria em terceiro lugar na lista, mas é uma torre de telecomunicações. Além disso, o arranha-céu precisa estar completo e aberto ao público para entrar no ranking.
O efeito colateral dessas regras é a chamada “altura de vaidade”, que é a parte do edifício sem função prática, usada apenas para melhorar sua posição na lista. O Burj Khalifa tem 244 metros dessa porção, quase um terço de sua altura total.
Em outubro de 2025, o conselho mudou seu nome para Conselho de Urbanismo Vertical. O banco de dados continua o mesmo, o Skyscraper Centre, e segue como a única fonte reconhecida pelo setor.
O ranking está estável há anos. O Burj Khalifa é o primeiro colocado desde janeiro de 2010, a mais longa liderança desde o Empire State Building. Os dois edifícios que poderiam superá-lo enfrentam obras intermitentes: a Jeddah Tower, com 1.008 metros, paralisada em 2017 e retomada em 2023, e a Dubai Creek Tower, que sofreu várias interrupções. O quilômetro de altura segue como a meta que a arquitetura persegue há um século, ainda não alcançada.
O Burj Khalifa, em Dubai, lidera com 828 metros. Projetado por Adrian Smith para o escritório SOM, é sustentado por um núcleo de concreto que percorre todo o edifício. O nome original seria Burj Dubai, mas foi alterado em homenagem ao governante de Abu Dhabi, que financiou a obra durante a crise financeira.
Em segundo lugar está o Merdeka 118, em Kuala Lumpur, com 679 metros. O nome significa “independência” e as 118 andares estão no nome. Projetado pela Fender Katsalidis, o edifício tem fachada facetada que reflete a luz de diferentes formas ao longo do dia. Ele tirou o recorde malaio das Petronas Towers, que fica a poucas centenas de metros.
A Shanghai Tower, com 632 metros, ocupa a terceira posição. A torção de 120 graus que percorre toda a altura não é apenas estética: reduz a carga do vento na estrutura em cerca de um quarto. O escritório americano Gensler envolveu a torre com uma fachada de vidro duplo, com 270 turbinas eólicas no espaço entre as duas camadas.
A Makkah Royal Clock Tower, em Meca, tem 601 metros e é o quarto colocado. Projetada pela firma libanesa Dar Al-Handasah, faz parte do complexo Abraj Al-Bait, com sete torres ao lado da Grande Mesquita. O relógio é visível a mais de 25 quilômetros de distância. É o arranha-céu mais alto já construído com propósito religioso.
O Ping An Finance Center, em Shenzhen, tem 599 metros e é o quinto. Quatro colunas de canto que afunilam conforme sobem. O revestimento de aço inoxidável, com 1.700 toneladas, foi projetado para resistir à umidade subtropical da cidade. Projetado pela Kohn Pedersen Fox, é o único do ranking dedicado inteiramente a escritórios.
A Lotte World Tower, em Seul, com 555 metros, é o sexto. Projetada pela mesma firma do Ping An Tower e concluída no mesmo ano, sua silhueta afunilada se inspira na cerâmica coreana tradicional. O observatório Seoul Sky, com piso de vidro, fica no 118º andar. O edifício abriga hotel, unidades residenciais, escritórios e comércio.
O One World Trade Center, em Nova York, tem 541 metros, o equivalente a 1.776 pés, ano da Declaração de Independência dos EUA. Projetado pela SOM, fica no local das Torres Gêmeas. É o único edifício americano no top 10 e o único de todo o Hemisfério Ocidental.
O Guangzhou CTF Finance Centre, com 530 metros, divide o oitavo lugar. É o terceiro edifício do ranking projetado pela Kohn Pedersen Fox. Tem hotel, unidades residenciais e escritórios em 111 andares, com alguns dos elevadores mais rápidos do mundo. Fica em Zhujiang New Town, distrito financeiro construído quase todo nos últimos vinte anos.
O Tianjin CTF Finance Centre, também com 530 metros, é o outro edifício em oitavo lugar. Mesmo cliente, o grupo Chow Tai Fook, mesma altura e 14 andares a menos. A SOM projetou uma estrutura curva com função aerodinâmica para reduzir a formação de vórtices. É o edifício mais alto do mundo com menos de 100 andares.
O CITIC Tower, em Pequim, com 528 metros, fecha a lista. A firma britânica TFP Farrells modelou a torre inspirada no zun, vaso ritual chinês que dá nome e forma ao edifício, largo na base, estreito no meio e largo novamente no topo. É o edifício mais alto de Pequim e o único dos dez inteiramente dedicado a escritórios.
