O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu nesta quinta-feira (16) que sejam cassadas as licenças de transmissão das emissoras que se recusaram a transmitir ao vivo seu discurso em horário nobre sobre fraude eleitoral. Ele insinuou, sem apresentar provas, que as empresas estariam envolvidas em tentativas de manipular as eleições.
“Eles e outros na mídia fazem parte de uma conspiração. Uma fraude como essa deveria significar a revogação de suas licenças. Eles usam nossas ondas públicas, avaliadas em bilhões de dólares, absolutamente de graça. Não pagam nada”, disse Trump, mencionando nominalmente as redes ABC e NBC.
A declaração ocorreu após as emissoras optarem por não exibir ao vivo a fala do presidente, que abordava alegações não comprovadas de irregularidades no processo eleitoral. A afirmação de Trump sobre a cassação das licenças gerou reações entre especialistas em comunicação, que apontaram a falta de base legal para a medida.
Nos Estados Unidos, as licenças de transmissão são concedidas pela Federal Communications Commission (FCC), uma agência reguladora independente. A revogação de uma licença exige um processo formal baseado em violações graves das regras de operação, e não em decisões editoriais das emissoras sobre o que transmitir.
A fala de Trump reforça o histórico de críticas do presidente à imprensa, a quem ele frequentemente acusa de divulgar notícias falsas. A Casa Branca não comentou se o governo pretende tomar alguma ação formal contra as emissoras mencionadas.
Em paralelo, a campanha de Trump continua a contestar os resultados da eleição presidencial de 2020 em tribunais de diversos estados, sem apresentar evidências concretas de fraude em larga escala. A maioria dos recursos já foi rejeitada por juízes, incluindo indicados pelo próprio presidente.
