Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinaram nesta sexta-feira (7) um pacto de defesa mútua que pode alterar o equilíbrio de forças no Oriente Médio e no Sul da Ásia. A aliança foi firmada em um momento de aumento das tensões na região, com o Irã atacando aliados dos Estados Unidos com drones e mísseis balísticos. Os sauditas também enfrentam ameaças de grupos apoiados por Teerã, como milícias no Iraque e os rebeldes houthis do Iêmen.
Na quinta-feira (6), dezenas de soldados da coalizão que luta no Iêmen foram mortos em um ataque houthi. Autoridades sauditas afirmam que a Guarda Revolucionária do Irã está coordenando esses ataques, o que rompe o acordo de paz mediado pela China em 2023.
O documento foi assinado em Meca, cidade sagrada do islamismo, reunindo três países de maioria sunita. O premiê paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, estiveram em peregrinação no local antes da chegada do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Eles foram recebidos pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.
Pelo acordo, a Arábia Saudita, que tem o sétimo maior orçamento militar do mundo, se junta ao Paquistão, que possui cerca de 170 ogivas nucleares, e à Turquia, que conta com 355 mil soldados. No ano passado, sauditas e paquistaneses já haviam firmado um pacto de defesa que deu ao reino acesso à proteção nuclear paquistanesa. Islamabad chegou a enviar 8.000 soldados e um esquadrão de caças para território saudita.
O anúncio ocorre em meio à pressão do ex-presidente americano Donald Trump para que a Arábia Saudita normalize relações com Israel dentro dos Acordos de Abraão. No mês passado, Trump anunciou um acordo de transferência de tecnologia nuclear civil para os sauditas, mas condicionou o avanço a um pacto de paz com Israel. Turquia e Paquistão são declaradamente contrários a Israel, o que afasta a possibilidade de adesão ao acordo.
Para Erdogan, o pacto representa uma vitória política. Em 2024, a Turquia apoiou o Azerbaijão no conflito com a Armênia e teve papel central na queda do governo de Bashar al-Assad na Síria. A instalação de um novo governo na Síria, liderado por grupos islâmicos, aumentou o alerta de Israel, que ocupa uma faixa no território sírio em parceria com a minoria druza. Isso colocou turcos e israelenses em lados opostos, além de criar atrito com a Rússia, que perdeu espaço na região por causa do foco na guerra contra a Ucrânia.
