24/06/2026
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Dólar sobe e alerta de gestores: risco de ficar 100% Brasil

O mercado de ações dos Estados Unidos renovou suas máximas desde o final de 2023, impulsionado pelo crescimento dos lucros corporativos, investimentos em inteligência artificial e uma economia resiliente. Essa tendência se manteve em 2026, mas o dólar, que vinha perdendo força frente ao real, passou a se valorizar a partir de maio. Com isso, investidores se perguntam se ainda vale a pena dolarizar os investimentos nas bolsas americanas.

Para Luciano Boudjoukian França, sócio-fundador e gestor da Paramis Avantgarde Asset, a principal questão não é acertar o câmbio. “Essa é uma alocação estratégica, não é trade de câmbio”, afirma. Com o dólar em torno de R$ 5,20, ele sugere uma “entrada parcelada” para quem tem pouca exposição global. “Faz sentido começar mesmo com dólar alto, porque o risco maior é ficar 100% dependente de Brasil, real e juros locais. Mas eu evitaria fazer tudo de uma vez. Dividiria em tranches mensais”, diz.

O investidor pode acessar o mercado americano por meio de ETFs na B3, como o IVVB11 e o NASD11, que acompanham índices como o S&P 500 e o Nasdaq-100. Este último já rende quase 10% em real neste ano. França alerta que o Nasdaq não substitui uma carteira global, sendo uma aposta mais concentrada em tecnologia.

Tecnologia puxa crescimento

As empresas de tecnologia têm sido o motor do crescimento americano. Ian Caó, diretor de Investimentos da Gama Investimentos, destaca o desempenho do Philadelphia Semiconductor Index, que subiu mais de 70% no ano. No entanto, o ritmo acelerado dificulta a entrada de novos investidores, especialmente com a inflação pressionada e juros altos nos EUA, entre 3,50% e 3,75%.

Guilherme Zanin, analista CFA e professor na Eu Me Banco, aponta que o maior risco para o brasileiro não está no dólar ou no Federal Reserve, mas em ter mais de 90% do patrimônio no Brasil. Ele cita um estudo da XP Investimentos mostrando que, em dez anos, quem manteve tudo no Brasil teve menor retorno e maior volatilidade.

Oportunidades além dos EUA

Rodolfo Marinho, da IP Capital, vê distorções no mercado americano, com todo o dinheiro novo indo para setores como semicondutores e energia. Ele nota que empresas como Mastercard caíram 15% no ano, apesar do lucro subir 15%, e a Microsoft negocia a múltiplos abaixo da pandemia. “Para quem faz stock picking, 2026 está oferecendo uma janela atípica”, afirma.

Luciano França sugere que a Europa pode ser uma alternativa mais barata para diversificação, com setores como bancos, indústria e energia. Maurício Garret, do Inter, vê oportunidades na China, especialmente na área de infraestrutura e energia ligada à inteligência artificial. “O mundo como um todo vai se beneficiar”, diz.

Para os próximos meses, o investidor deve acompanhar a inflação americana, que atingiu 4,2% em maio, e a resposta do Fed. O juro de dez anos americano e o prêmio fiscal do país também são variáveis importantes para as ações de tecnologia, que são sensíveis a essas taxas. O rali só se sustenta se as revisões de lucros continuarem positivas.

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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