08/08/2026
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Trump nomeia 90% de aliados políticos como embaixadores

Trump nomeia 90% de aliados políticos como embaixadores

Dados da Associação Americana do Serviço Exterior (AFSA) indicam que 90% das 102 indicações de embaixadores feitas por Donald Trump em seu segundo mandato são de apoiadores políticos. Apenas 10% dos nomes são diplomatas de carreira. O levantamento, atualizado até 3 de agosto, aponta uma ruptura com o padrão histórico da diplomacia dos Estados Unidos.

Tradicionalmente, o país opera sob uma regra informal chamada de “70/30”. Nesse modelo, cerca de 70% dos embaixadores são profissionais do Serviço Exterior e 30% são indicações de pessoas próximas ao presidente. A AFSA classifica como funcionários de carreira apenas os diplomatas de ofício. Todos os demais nomes, incluindo doadores, aliados partidários e integrantes do círculo presidencial, são considerados indicações políticas.

Desde o governo Gerald Ford (1974-1977), quando começa a série histórica, mais da metade dos cargos de embaixador foi ocupada por profissionais de carreira. No primeiro mandato de Trump e no governo de Joe Biden, esse número caiu para cerca de 60%, mas o equilíbrio foi mantido. No atual mandato, o percentual de diplomatas de carreira entre os indicados é o menor já registrado.

O perfil dos escolhidos também mudou. No Reino Unido, o posto foi para o banqueiro Warren Stephens, doador do Partido Republicano. Na França, Trump indicou Charles Kushner, pai de seu genro Jared Kushner. Para Israel, o escolhido foi Mike Huckabee, ex-governador do Arkansas e aliado evangélico do presidente.

Segundo reportagem do jornal Washington Post, para o Egito foi indicado Nick Oberheiden, advogado de 48 anos sem experiência diplomática. Seu escritório já representou clientes ligados ao governo Trump, incluindo envolvidos na invasão ao Capitólio. Oberheiden doou cerca de US$ 1,3 milhão a comitês políticos que apoiaram a eleição do republicano.

Nas Filipinas, a escolha foi Lee Lipton, dono de restaurante em Palm Beach e membro do clube Mar-a-Lago. No Peru, Trump nomeou Bernie Navarro, executivo do setor imobiliário da Flórida com doações volumosas aos republicanos. Manila e Lima não recebiam embaixadores políticos havia décadas.

A preferência por indicações políticas ocorre em meio a um déficit de titulares. Dados da AFSA mostram que mais da metade das representações diplomáticas dos EUA no exterior está sem embaixador. No comando dessa reformulação está o secretário de Estado Marco Rubio, que já teve atritos com o governo Lula.

Na crise mais recente, o Departamento de Estado americano revogou o visto da embaixadora do Brasil nos EUA, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão estaria ligada à demora do Brasil em conceder o agrément ao diplomata Daniel Perez, indicado por Trump para a embaixada em Brasília. O nome de Perez foi aprovado pelo Senado nesta sexta-feira (7).

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Sobre o autor: Sofia Almeida

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